Projeto do CETEP Jonival Lucas fortalece autoestima e identidade de meninas negras por meio da Ciência e da Educação

Da redação
Julho se despede deixando um legado de reflexão, pertencimento e valorização da identidade no Centro Territorial de Educação Profissional do Recôncavo (CETEP) Jonival Lucas, no município de Sapeaçu. Idealizado no âmbito do Clube de Ciências Sapéhaciência, o projeto "Filtro pra quê? Identidade, estética e autoaceitação de meninas pretas na era digital" mobiliza estudantes a refletirem sobre os impactos dos filtros digitais, algoritmos e padrões de beleza impostos pelas redes sociais. A iniciativa une ciência, educação e letramento digital para fortalecer a autoestima e o protagonismo de adolescentes negras, com atividades previstas até novembro.
A programação de abertura foi marcada pela roda de conversa "Entre <DIV/A>S", reunindo as escritoras Kátia Maria Barbosa e Roberta Evelyn Passos, além da estudante Maria Eduarda Borges, do curso técnico em Informática, que apresentou reflexões sobre o racismo algorítmico sob a orientação dos professores Osmar Ribeiro e Leila Maria Salomão. O debate evidenciou como as plataformas digitais podem reproduzir estereótipos raciais e reforçar referências estéticas eurocêntricas, estimulando uma análise crítica sobre o uso dessas ferramentas no cotidiano.
A iniciativa também promoveu uma exposição fotográfica organizada pela professora de Artes Margarete Nunes, destacando a diversidade dos cabelos crespos e cacheados, das tonalidades de pele e da beleza das estudantes negras e pardas da unidade. A programação foi complementada por uma oficina de autocuidado com orientações sobre cabelos e maquiagem, incentivando o reconhecimento das singularidades de cada participante. Para a professora Leila Maria Salomão, uma das idealizadoras da proposta, o projeto cria oportunidades para que as jovens se enxerguem de forma positiva e questionem padrões estéticos que historicamente invisibilizam a beleza negra.
Segundo a coordenadora pedagógica Débora Gonçalves, o projeto nasceu da necessidade de discutir os desafios enfrentados por meninas negras na construção de uma auto imagem saudável em um cenário fortemente influenciado pelas redes sociais. "Queremos desestabilizar estruturas racistas que negam à população negra o direito de reconhecer a própria beleza e fortalecer uma percepção positiva da identidade das nossas estudantes", destaca. A professora e escritora Roberta Evelyn Passos ressalta que o encontro fortaleceu o protagonismo feminino e a intelectualidade negra. "Quando nos referenciamos umas nas outras, fortalecemos nossa identidade e enriquecemos nossa trajetória", afirma.
Inspirado nas reflexões da educadora Nilma Lino Gomes sobre identidade negra, corpo e cabelo como símbolos de pertencimento, o projeto seguirá com oficinas como "Desconstruindo o feed", "Minha Coroa, minha identidade" e "Eu sou minha própria trend". A estudante Ester Araujo, de 17 anos, destaca que a iniciativa mostra às meninas negras que seus traços são belos e não precisam ser modificados por filtros para atender a padrões impostos. Ao integrar educação científica, debate sobre gênero e raça e uso consciente das tecnologias, o projeto reafirma o compromisso da unidade com a formação cidadã, o combate ao racismo estrutural e a valorização da diversidade.




