Em Itaparica, estudantes transformam visitas escolares em experiências científicas
Estudantes transformam visitas escolares em experiências científicas

Fotografar uma planta na trilha, identificá-la com ajuda de inteligência artificial e ver esse registro entrar em uma base de dados consultada por pesquisadores de diferentes países: essa é a experiência oferecida pela Escola da Natureza, programa do Village Itaparica que usa a ciência cidadã para aproximar estudantes da produção de conhecimento sobre biodiversidade. Aberta a escolas públicas e particulares, mediante agendamento prévio pelo WhatsApp (71) 98475-2501, a iniciativa já reuniu cerca de 2,6 mil estudantes desde o início das visitações — gratuitas para escolas públicas da região e oferecidas mediante contratação para instituições privadas e demais grupos.
Na prática, segundo Marcos Cruz, responsável pelo Programa de Consumo Consciente do Village Itaparica, a visita transforma a trilha ecológica em um laboratório a céu aberto. Ao longo do percurso, os estudantes observam plantas, animais e fungos, fotografam cada espécie com o celular e acompanham a sugestão de identificação feita pela inteligência artificial do aplicativo iNaturalist.
"O iNaturalist aproxima os estudantes da ciência de uma forma muito natural. Eles percebem que o celular também pode ser uma ferramenta de investigação, e que uma observação feita durante a visita pode ajudar a ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade. Depois de validados por uma comunidade internacional de especialistas, os registros ficam disponíveis em uma plataforma aberta, consultada por pesquisadores, universidades e organizações ambientais do mundo inteiro", completa.
Com duração aproximada de uma hora, o roteiro reúne a trilha ecológica e o Centro de Sustentabilidade do Village Itaparica — formado pelo viveiro educador, pela oficina de transformação de plástico, pela área de compostagem e pelo espaço de separação de resíduos. Além de identificar espécies, os estudantes têm contato direto com práticas de economia circular e gestão de resíduos, o que aproxima a teoria vista em sala de aula da vivência em campo.
"Quando o estudante deixa de apenas receber informações e passa a investigar, registrar e compreender que aquele conhecimento pode contribuir para a conservação da natureza, o aprendizado ganha outro significado. Nosso objetivo é formar jovens mais conscientes, críticos e comprometidos com o meio ambiente", avalia Adriana Muniz, gerente de ASG do Village Itaparica.
A experiência não se encerra com o fim da trilha, destaca Marcos Cruz. Isso porque, diz ele, o uso do iNaturalist permite que professores criem projetos próprios com suas turmas, incentivando os estudantes a continuar documentando a biodiversidade em suas escolas, bairros e comunidades. Assim, a ciência cidadã passa a integrar o cotidiano escolar e amplia as possibilidades de aprendizagem para além da sala de aula.




