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Apartamentos sem garagem podem ficar até R$ 60 mil mais baratos em Salvador

Foto: Divulgação/ MRV&CO
Foto: Divulgação/ MRV&CO

A vaga de garagem, durante anos considerada um item essencial na compra de um apartamento, começa a perder espaço entre parte dos consumidores de Salvador. Nos novos empreendimentos voltados ao público econômico, imóveis sem vaga podem custar até R$ 60 mil a menos, diferença que tem pesado na decisão de famílias mais sensíveis ao valor do financiamento e às condições de acesso à casa própria.

 

A mudança já é percebida pela MRV, empresa com quase 20 anos de atuação no estado, em lançamentos recentes na capital baiana. O Residencial Bela Vista, em Pernambués, chegou ao mercado com poucas unidades com vaga de garagem e registrou rápida velocidade de vendas. Movimento semelhante foi observado no Golf Riviera, em Jardim Cajazeiras, lançado no final de 2025.

 

Segundo a construtora, a procura pelas unidades sem garagem é especialmente crescente entre famílias com renda mensal inferior a R$ 8 mil. Acima dessa faixa, os compradores ainda tendem a priorizar apartamentos com vaga. O comportamento aponta para uma diversificação das prioridades na compra do primeiro imóvel, principalmente entre consumidores que não possuem carro ou que deixaram de considerar o veículo uma necessidade imediata.

 

"Para uma parcela importante do público econômico, a vaga representa um custo adicional no apartamento. Quando conseguimos oferecer uma unidade até R$ 60 mil mais barata, ampliamos as possibilidades de acesso ao crédito imobiliário e à casa própria. Muitas vezes, estamos falando de uma família que antes não conseguia avançar na compra por causa do valor final do imóvel", explica Leandro Pinho, gestor comercial da MRV na Bahia.

 

Mobilidade muda a escolha do imóvel

 

A popularização dos transportes por aplicativo e a ampliação da rede de metrô e BRT também ajudam a explicar a mudança na capital. Nesse contexto, a localização e o acesso aos modais de transporte passam a disputar espaço com a vaga de garagem entre os critérios considerados pelo consumidor.

 

A tendência também provoca uma mudança na busca por terrenos para novos empreendimentos. A estratégia passa por aproximar a habitação econômica de áreas atendidas por transporte público, centros de emprego, comércio, serviços e opções de lazer. 

 

"Estamos conseguindo levar o público econômico para regiões onde, historicamente, havia menos oportunidades de compra para esse perfil. A proximidade com o trabalho, os serviços e o transporte pode reduzir o tempo e o custo dos deslocamentos diários. A discussão sobre as vagas precisa considerar essa transformação na forma como as pessoas vivem e se movimentam pela cidade", destaca Renata Bandarra, gestora de Desenvolvimento Imobiliário da MRV na Bahia.

 

Para a construtora, a tendência acompanha um movimento já observado em outras grandes cidades brasileiras como São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Belo Horizonte e reflete as diferenças de renda, mobilidade e prioridades entre os compradores.

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